O chá de maçã com canela e laranja descia doce e morninho pela minha língua e eu sabia que o Wagner e a Tia Teresinha (Teca) também sentiam o mesmo. Sentados na mesa, após o convite para ela e o marido, Tio Vilson, serem nossos padrinhos de casamento, conversávamos sobre a vida. Conversa essa que vou lembrar para sempre.
Meu amor também percebeu que quando falamos do convite os olhos dela se encheram de brilho, de lágrima, talvez. Falei que ela era muito importante para mim, devido ela ter sido minha professora da primeira série e pelas tardes que passei na casa dela, alguns anos depois tentando (até hoje em vão) aprender a tabuada, com a Ariadne, minha prima.
A tia foi falando que nunca deu conta de mim. Que enquanto as crianças faziam a frase "A boneca é bonita" eu escrevia "A boneca é bonita e veste um lindo vestido rosa". E acho que até hoje sou assim. Jornalismo pede habilidades de resumo e eu preciso treinar bastante. Ela falou que leu o blog, afinal é sogra da nossa fotógrafa a Elaine Freitas, que está sempre por aqui e adorou o texto que fiz falando sobre a tia Arlete, sem se surpreender com o fato de até hoje eu escrever. Sempre escrevo coisa de mais, mas porque para mim, detalhes são muito importantes.
Detalhe de como se faz o chá de maçã, por exemplo, colocando a maçã para ferver, junto com suco de laranja e canela em pau. Sem açúcar, todos bebemos aquele chazinho no frio da noite, falando sobre colchas de retalho e computadores, sobre como o mundo muda e a nossa vida muda de acordo com o mundo. E o que seria o mundo se não uma imensa colcha de retalhos? Eu sou um pedaço, você é outro e juntos, diferentes vamos levando, montando o que no mundo há. Mas um retalho se junta ao outro, sempre, por uma linha de uma mesma cor: o amor.
Aprendi naquela noite, como fazer o feijão não inchar, deixando-o de molho da noite para o dia. Ou então a cozinhar o ovo aberto em água na frigideira, como uma alternativa a minha dificuldade de comer um delicioso ovo frito. Conversamos sobre como a vida passa rápido e as coisas mudam. As pessoas vêm e vão, as vozes ecoam e emudecem. E a casa fica. O lar fica. O amor fica. A saudade fica.
E aprendemos também que leite azedo se joga fora, pois quanto mais leite mais queijo. Na verdade o leite azedo são as brigas, e quando há desarmonia, temos que esquecer, porque quanto mais mágoa, menos perdão. Que o casal, por mais que o tempo passe, precisa se ajudar, porque a maior parte da vida é trabalho e suor. É correria com filhos e preocupação com o futuro, mas depois a recompensa vem. A tranquilidade vem. A experiência vem.
Passamos mais tempo do que o planejado, mas a conversa estava boa, amena, sincera, franca. Falar da realidade, do passado, de tantas coisas que vivi, me inspirou a escrever cada vez mais. É escrevendo que me sinto bem. Lendo. Mais do que falando, mais do que dançando ou cantando. Escrever sempre me mostrou caminhos, acalmou meu coração. Escrever me deu muitas vezes papel para secar as lágrimas. Escrever sempre me fez pensar. Hoje, não metaforicamente, hoje de "no dia de hoje", senti que poderia e precisava escrever mais. Afinal, sempre foi isto que fiz. Sempre foi isto que fui. Sempre fui isto que sou.
E você já curtiu a página da Noiva Enlouquecida no Facebook? Curte lá, compartilhe com os amigos e fique sabendo antes das novidades!
Um beijo,
Manu


Nenhum comentário:
Postar um comentário