Se a necessidade é a mãe da invenção, a ansiedade é a mãe da precaução. Nada mais lógico para uma noiva enlouquecida do que ter tudo dentro do seu controle, acertado com muito tempo de antecedência. Porém, as circunstâncias da vida me colocaram assim, num momento em que faltam apenas 23 dias e ainda tem uma lista de tarefas para fazer e uma casa nova em que ainda falta bastante coisa. Então, racionalmente paro de falar de lógica e entro nas emoções, afinal elas que estão tomando conta deste momento.
Comecei a ter uma outra preocupação, agora é com o noivo lúcido. Hoje de manhã ele me disse que acha que vai precisar de uma dose reforçada de água de melissa para dormir na véspera do casamento. Se ele vai precisar, imagina eu que já tomo florais, faço massagens relaxantes semanalmente com a Letícia no Espaço Vitalittá e luto diariamente contra a ansiedade? O noivo lúcido começa a dar sinais de que o bicho tá pegando, mesmo! Então eu me desafiei a tentar relaxar o máximo possível para poder aproveitar como mereço este momento.
Quanto a casa, começaremos com o que ganharmos de presente. Felicissimamente muitos amigo e familiares estão ajudando muito, muito, muito e acho que até o casamento faltará pouquíssima coisa, nada que não possamos comprar em 10 vezes sem juros. Sobre a lista de detalhes pendentes, ainda não posso falar muita coisa pois são as surpresas e os detalhes que farão a diferença no dia para os convidados, mas no mais são convites ainda a ser enviados pelos correios, telefones de convidados que não conseguimos, trabalhos artesanais a fazer, etc. E em relação a ansiedade do noivo lúcido, bem, essa é uma outra história...
Apesar de ter alguns momentos de estresse quando converso algo do casamento com os mais próximos, ontem fiquei feliz porque minha mãe disse que eu não tinha sido chata para escolher as coisas. Que eu fui prática e não fiquei incomodando. Gostei porque, na verdade, eu sei que eu sou muito chata e se a minha mãe, que é com quem eu mais tenho liberdade para ser chata, disse que eu fui legal, olha, eu devo estar sendo uma noiva muito legal!
Agora tentei entrar no modo "paciência". Se faltar tecido, paciência, vamos fazer como der. Se vierem mais pessoas do que o confirmado, paciência, vamos colocar água no feijão e puxar umas cadeiras. Se não gostarem do meu vestido, paciência, porque eu amei. Se eu tropeçar na hora de dançar, paciência, levanto e sigo em frente. Se o noivo fugir do altar... bom, eu vou sair correndo atrás dele! Nos precavemos e temos planos B para quase tudo. No mais, estamos nos preparando há mais de um ano e sempre algo vai fugir do controle. Então, paciência!
E quando falamos em precaução, meu amor e eu sempre cantamos essa música, que considero o hino da precaução, do Bode Japeth, em Deu a Louca na Chapeuzinho, a partir de 1:20.
"Precaver, precaver, se não quer pagar pra ver, cuidado é coisa boa de se ter!"
Enfim, o mais importante de tudo é o momento da cerimônia, em que vamos dizer sim, para Deus nos manter unidos até quando ele desejar. Escolhemos as músicas e os músicos com muito carinho, a leitura, o salmo, e também confiamos na minha madrinha, que vai fazer a liturgia, e no padre que convidamos para celebrar. Ontem ligamos para ele e eu só fiz um pedido: "por favor, Padre, não faça o evangelho da mulher submissa!". Depois de umas gargalhadas aprendi que essa história bíblica é leitura e não evangelho, então problema resolvido.
Outubro chegou e eu me sinto cada dia mais próxima da realização de um sonho, de um momento tão especial, em que olharei nos olhos do meu imenso e infinito amor e jurarei ficar ao lado dele para sempre! Tranquila, relaxada e precavida!
Um beijo, Manu
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