segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pilotando até o altar

Faço parte do grande grupo de mulheres que dirige, vai para todos os lados e não tem medo de se aventurar em uma estrada desconhecida. Dirigir era um grande prazer. Sim, era, até eu precisar pegar o trecho sul da BR-101 cerca de 6 vezes por semana nos horários de pico, a bordo do meu amplo e confortável Ford Ka (ou fordeca, como meu pai prefere chamar, embora eu carinhosamente chamo de minha carochinha). 

Acordar cedo, pegar a estrada, trabalhar, pegar a estrada e chegar tarde, mesmo que por um bom motivo - dormir na minha casa e ficar mais perto do meu amor - alterou meu sentimento em relação ao volante. Me tornei uma verdadeira "motorista estressadinha", sem paciência para dirigir ou tolerar qualquer tipo de conduta minimamente errada dos outros motoristas, o que incluía dirigir a menos de 120km, querer me ultrapassar independente da velocidade que eu estivesse e, o pior de todos, me fechar.

Ah, aqueles caminhoneiros não sabiam que era eu que estava passando? Eu mandava buzinada, farol alto e xingava até a quinta geração. Quase bati várias vezes, andei no acostamento, peguei desvio, aprendi todos os caminhos alternativos, atravessei o carro no acostamento para ninguém passar, quase fiquei sem gasolina no congestionamento e enlouqueci, tudo isso e ainda cantando com Chico (Buarque) no som.


Mas de repente, tudo mudou quando fui pedida em casamento e entrei em um período sabático, em que repensei o que vinha fazendo da minha vida e a primeira coisa que parei de fazer foi dirigir. Nervosa, estressada e cansada, foi onde surgiu a noiva enlouquecida. Meu amor que cuidava dos preparativos, ligava para os fornecedores, agendava as reuniões e me levava onde eu precisava ir. Aproveitei para cuidar da minha saúde, reabastecer o corpo e o espírito e pensar o que eu iria fazer da vida.

Havia me demitido, estava com um casamento para organizar, sem dinheiro, fazendo duas pós graduações e com a cabeça confusa, mas ao final de três meses o cenário já estava melhorando. Voltei a trabalhar, foquei nos estudos e nos preparativos do casamento e o último passo do meu retorno foi voltar a escrever sem ser pra o trabalho, o que há muito tempo não fazia, aqui no blog.

Bom, nesse meio tempo até agora, bati o carro da minha mãe (que tinha seguro e cobriu os danos do outro carro, já o que dela nem amassou) e o Ford Ka (que não tem seguro e pagamos com o dinheiro da poupança do casamento). Resumindo, aprendi que pressa e estresse só trazem prejuízos, financeiros e espirituais. Agora dirijo com bem mais cautela e evito ser a motorista quando há a previsão de pegar congestionamento.

É engraçado quando o Wagner está ao volante e diz: "Não sei se pego o desvio... o que você acha?" e eu respondo calmamente: "Amor, você está dirigindo, então você decide", porque antes eu nem esperava ele perguntar e já estava dizendo: "Anda, amor, pega o desvio, vai aqui pelo acostamento, não precisa frear para passar nessa lombada, ultrapassa essa lesma!"

É, minha gente, eu mudei e acredito que mudei para melhor. Hoje pego o carro vou aqui, ali e lá, aliviei o pé do acelerador e só evito dirigir a noite porque a miopia faz meus olhos me traírem. Eu nem sei como eu dirigia naquela época sem óculos, talvez não enxergar direito fosse a causa de tudo! Agora só quero esperar o dia em que farei o passeio entre a minha casa e a igreja, vestida de noiva para encontrar meu amor no altar.


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Um beijo,
Manu

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